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sexta-feira, novembro 14, 2003

Cozinha por Receita 4 - Calulu de S. Tomé 

Depois de Itália e México, esta semana dedico este post culinário à cozinha africana, nomeadamente a S. Tomé e Príncipe e à sua fantástica gastronomia. O Calulu é talvez o prato mais tipicamente sãotomense, servido habitualmente em dias festivos e pode ser de carne ou de peixe fumado.

A receita que hoje aqui publico corresponde ao calulu de galinha e que, aqui entre nós, é aquele que conta com a minha preferência. Então é assim: para preparar um calulu deverá previamente adquirir

1 frango com cerca de 1,200 kg (preferencialmente galinha do campo - mas galinha mesmo com 1 a 2 anos);
250 g de mussua (couve);
1 molho de agriões;
40 g de farinha de trigo;
1 dl de óleo de palma;
2 tomates;
2 cebolas;
6 quiabos;
2 dentes de alho;
3 beringelas;
1 folha de louro;
1 ossame;
1 raminho de manjerona;
Água, pau-pimenta, sal e malagueta.

Os ingredientes africanos encontram-se facilmente na região de Lisboa (acredito que também na do Porto...). Em Lisboa, estes poderão ser adquiridos, por exemplo, numa loja africana existente no interior do Mercado da Ribeira ou na Amadora (junto à Estação de C.F.). A única excepção é a Mussua, que é uma qualidade de couve que originária de S. Tomé. No entanto, pode substituir-se por couve portuguesa sem impacto significativo no resultado final do prato.

A preparação do Calulu é muito simples:

Corta-se o frango aos bocados. Deita-se num tacho, com a couve cortada como para caldo verde, o óleo de palma, as cebolas e os dentes de alho picados, os tomates, sem peles nem sementes, os quiabos, cortados aos bocados, as beringelas, sem peles e cortadas às rodelas grossas, o louro, o ossame e o pau-pimenta, pisados, a manjerona, o sal e a malagueta.

Leva-se ao lume e refoga, adicionando um pouco de água. Juntam-se os agriões. Cobre-se tudo com água e deixa-se cozer.

Na altura de servir, mistura-se a farinha, desfeita num pouco de água, que ferve para o molho engrossar.

Serve-se com arroz ou Angu (banana-pão cozida e desfeita) às bolas.

A preparação do Angu também é trivialmente simples:

Leve um tacho ao lume com as bananas com casca e água para cozerem.
Depois de cozidas, descascam-se e desfazem-se bem com um garfo.
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terça-feira, novembro 11, 2003

Natal de S. Martinho 

Pois é, hoje é dia de S. Martinho, comem-se as castanhas e prova-se o vinho... pelo menos assim dizia o povo.

Dizia, porque nos nossos dias o espírito natalício parece que já se instalou (mas só) nos centros comerciais. Se continuamos assim, qualquer dia o Natal é mesmo quando um homem quiser...
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E a História repete-se ?... 



No mais Musa, no mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dhua austera, apagada e vil tristeza.

Luís de Camões, Os Lusíadas

Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer ?
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
( Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!

Fernando Pessoa, Mensagem.


Um dos fenómenos revelados pela situação portuguesa é o cansaço, o desinteresse dos cidadãos em relação à política, como se nada de bom ou mesmo de mau houvesse a esperar. A nós Portugueses está sendo aplicada uma espécie de anestesia de ópio, de resignação perante o aviltamento, de conformismo com a desgraça.

A memória dos homens é sempre fugaz, e dir-se-ia que pelo menos a de alguns portugueses é mais fugaz que a de outros. Manipulados sem cessar por uma propaganda intensa, vítimas continuamente de uma campanha que deforma e anula as faculdades críticas, privados de elementos de comparação, esquecidos do ponto de partida, parece que não medem o declive por que têm sido e continuam a ser arrastados para um abismo suicida. São forçados a aceitar como natural um estado de coisas que o não é, a habituam-se à degradação como se fosse uma fatalidade.

Dir-se-ia que hoje nós Portugueses, cansados de desilusões, não acreditamos em nada, nem em nós próprios. Instalámo-nos no traumatismo, na desesperança, na descrença, no cepticismo, e tudo numa visão confinada ao que é imediato. Por outro lado, ainda à bem pouco tempo atrás, reinava a ideia generalizada de que não havia motivo de preocupações porque os países estrangeiros ocidentais, não querendo que Portugal caísse no extremismo totalitário, haviam sempre de emprestar dinheiro para se ir vivendo. Estimulava-se assim uma falta de brio, de altivez, de amor-próprio nacional. E havia nisto um erro, um gravíssimo erro, e uma ilusão. Atrevo-me a dizer ser indispensável que, para além de miragens de que somos vítimas, nos apercebamos urgentemente deste facto: se não trabalharmos, ninguém, mas ninguém nos sustentará. Os que pensam o contrário, não estão de boa-fé, ou são perigosamente ingénuos. Acreditará alguém que os Americanos, os Alemães, os Ingleses, os Franceses - e não falo da Rússia porque esta não dá nada a ninguém - se aplicam a trabalhar e a lutar nos seus países para que do produto da sua actividade e da riqueza que esta cria vão distrair o necessário a fim de sustentar dez milhões de portugueses? Dir-se-ia que se procurava criar o sebastianismo do empréstimo externo.

Sempre acreditei que os credores, mais tarde ou mais cedo, apresentariam a sua factura; a médio prazo esta será política, e traduzir-se-á na perda da independência nacional, ou será económica, e o país transformar-se-á numa colónia do estrangeiro. Aliás, uma coisa equivale à outra, e esta situação está já a produzir-se.

Ninguém o diz com mais amargura do que eu, mas a verdade é que Portugal não é hoje um país que se possa determinar com autonomia, nem de momento está em posição de escolher livremente as opções ou alternativas que mais convenham aos seus interesses. Os perigos, os riscos de perda de soberania são dolorosamente reais. Há a ideia, segundo parece, de que Portugal, por ter mais de oitocentos anos de existência, é automaticamente eterno. Eu não conheço nenhum decreto que prescreva a eternidade a Portugal; e se o houvesse ainda era preciso que os demais respeitassem esse decreto; e a História mostra-nos países que apareceram e desapareceram, e até em épocas bem próximas de nós o facto se tem dado. Por que seria Portugal uma excepção?

Por outro lado, Portugal é hoje um país empobrecido, muito para além da realidade aparente. Vivemos os últimos 15 anos a aplicar os empréstimos em salários e bens de consumo, e muito pouco em equipamentos e investimentos. Perdemos milhares e milhares de quadros - professores, engenheiros, médicos, gestores técnicos, etc. - que foram expulsos, destruídos: e cumpre não esquecer que um homem, sobretudo um homem qualificado, é o bem mais precioso e o investimento mais caro de um país.

A vulnerabilidade de Portugal é portanto imensa. Para além de tudo, todavia, o facto decisivo é este: a vontade dos Portugueses. Se essa vontade for vigorosa, e firme, tenaz, Portugal pode sustentar a sua independência, e retomar a sua autonomia em relação aos centros de decisão hoje exteriores. Acho que se impõe um regresso aos valores autênticos, permanentes, e há que proclamá-los mesmo perante os sorrisos sardónicos e benevolentes das mentalidades superiores. Das mentalidades daqueles que têm muitas teses intelectuais mas não sentem nada; e daqueles que por ignorarem tudo julgam saber tudo; e de quantos pensam ter a vida começado com eles sem ao mesmo tempo admitirem, para serem lógicos, que a vida também acabará com eles. Ou estará o dinheiro estrangeiro a influenciar a inteligência portuguesa. E a juventude portuguesa? Já não estremece e palpita com Portugal?
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sexta-feira, novembro 07, 2003

Sobre as portagens nas SCUT... 

O Governo vai introduzir portagens nas SCUT (Sem Custos para o Utilizador) mas por enquanto não especifica quais.

O primeiro-ministro admite algumas excepções, mas vai avisando que a portagem será a regra. Tudo para atenuar os encargos orçamentais com as rodovias.

As estimativas apresentadas pelo primeiro-ministro apontam para que, mantendo-se a actual situação de SCUTs, esses encargos sejam de 44 milhões de euros, em 2004, subindo para 253 milhões de euros nos anos seguintes. Até 2031, os custos atingiriam os 15 mil milhões.

A ideia que está subjacente a esta medida (a velha máxima do utilizador-pagador) não me choca particularmente, desde que esteja assegurada a existência de vias alternativas com o mínimo de condições para permitirem a circulação dos cidadãos, sem prejuízo da sua integridade física (e mental...) e da dos seus veículos. No entanto, se por um lado estou de acordo que aqueles que quiserem e puderem pagar deverão ter a possibilidade de viajar com maior rapidez, segurança, conforto (o que quiserem...), também não posso deixar de concordar com o princípio do contribuinte reivindicador dos seus direitos - se (pelo menos em teoria) pagamos os nossos impostos (ao nível dos países mais desenvolvidos) também podemos e devemos exigir itinerários principais como os que encontramos, por exemplo, do outro lado da fronteira com Espanha... ou não?...

Apesar de não existirem ainda certezas quanto às estradas que serão as felizes contempladas, especula-se já, entre outras, sobre a Via do Infante (renomeado A22), o ex-IP6 (renomeado A23) e os futuros IP3 e IP5 remodelados.

Quanto à via do infante, se quisermos admitir que a N125 é uma alternativa efectiva (o que ainda assim me levanta algumas dúvidas...), poderá ser aceitável com a condição de se proceder a obras de melhoramento no pavimento e na instalação de estações de serviço. A Via do Infante como existe hoje não pode ser considerada uma auto-estrada... pelo menos na UE ... acho eu...

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quinta-feira, novembro 06, 2003

Cozinha por Receita 3 - Melanzane alla Parmegiana 

Especialmente dedicada à Ana Maria Anes, para que volte quanto antes à Blogosfera, fica aqui esta receita, que, confesso, ainda não tive a oportunidade de pôr em prática (justificando assim a sua apresentação "a seco"). No entanto, fica a promessa de, já no próximo fim-de-semana, procurar cozinhar este fantástico pitéu (ou não...).

Ingredientes para 4 pessoas:

1 kg de berinjelas,
1 kg de tomates maduros,
1 cebola média,
300 g de queijo mozarella,
2 ovos,
3 raminhos de manjericão,
4 colheres de sopa de queijo ralado,
4 colheres de sopa de azeite virgem extra,
sal e pimenta,
azeite virgem extra para fritar


Como preparar?

Lavar as berinjelas, cortar-lhes a extremidade superior e parti-las, sem contudo as descascar, em rodelas de 1 cm de espessura. Polvilhar com sal e deixá-las num coador durante 30 minutos para que percam o molho amargo característico deste legume. Entretanto, descascar e picar a cebola e os tomates. Partir a mozarella em fatias finas de 3 mm. Aquecer o azeite numa frigideira em lume forte e refogar a cebola. Quando começar a ficar dourada adicionar os tomates. Temperar com um pouco de sal e pimenta e refogar em lume brando durante cerca de 30 minutos. Juntar por fim as folhas de manjericão picadas. Secar as berinjelas com papel absorvente e fritá-las em azeite abundante e bem quente. Colocar 1/3 do tomate frito no fundo de um tabuleiro com capacidade para ir ao forno. Colocar por cima uma camada de berinjelas, de seguida as fatias de mozarella e os ovos batidos. Repetir a operação até encher o tabuleiro. Polvilhar com queijo e de manjericão e cozer em forno pré-aquecido a 180º C durante 20 minutos. Servir morno ou à temperatura ambiente.

Agora o doce... Ana!!
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Cozinha por Receita 2 - Enchiladas Sabrosas 

Como o prometido é devido, este modesto e serviçal blog apresenta hoje mais uma receita... desta vez da cozinha Mexicana (que, pessoalmente, a mi me gusta mucho...).

Para 6 a 8 pessoas (dependendo do apetite...):

800 g de carne picada (mistura 50/50 de carne bovina e suína),
1 cebola média,
1/2 pimento chili verde grande (ou 1 pequeno),
5 dentes de alho,
1 ramo de coentros,
sal,
pimenta moída,
cominhos,
100 ml de vinho comum ou Sherry (creio que com Porto resultará ainda melhor...),
90 g de azeitonas pretas,
350 ml de molho para enchiladas,
100 ml de polpa de tomate,
12 'tortillas' (crepes) de milho,
200 g de queijo (originalmente seria Monterey Jack mas pode ser outro qualquer, tipo cheddar),
125 ml de Sour Cream - natas amargas (opcional),
óleo vegetal.

Começar por picar finamente a cebola e os alhos; juntar este preparado, numa frigideira larga, às carnes picadas e deixar refogar, sem adicionar qualquer tipo de gordura.
Assim que a carne se encontrar castanha, adicionar o chili verde igualmente picado e cerca de ¾ do ramo de coentros.
Deixar cozinhar durante mais 1 ou 2 minutos (até o chili se encontrar com um aspecto verde-brilhante).
Misturar bem e juntar cerca de 50 ml do molho para enchiladas e deixar cozinhar durante mais alguns minutos. Reservar este cozinhado.
Preparar agora o molho num recipiente adequado, misturando o resto do molho para enchiladas e a polpa de tomate. Adicionar o vinho, os cominhos, o sal e a pimenta, e deixar cozinhar durante 10-30 minutos (dependendo do tempo disponível para dedicar à cozinha...). A aparência do molho deverá ser liso e brilhante e o sabor ligeiramente picante.

Agora, chegou finalmente o momento de reunir todos os ingredientes e utensílios necessários para preparar as enchiladas propriamente ditas. Ralar o queijo para uma folha de papel de alumínio. Ter à mão as azeitonas previamente descaroçadas e cortadas em metades. Untar com óleo um tabuleiro ou outro recipiente que possa ir ao forno. Manter o resto da gordura resultante da preparação anterior na frigideira utilizada para cozinhar a carne.

Retirar 4 'tortillas' da embalagem, separá-las e, uma de cada vez, passá-las pelo fundo da frigideira utilizada para preparar a carne, de modo a humedece-las ligeiramente com a gordura. De seguida, as 4 'tortillas' deverão ser sobrepostas na frigideira e esta aquecida em lume brando até estarem bem macias e flexíveis.

A parte final do processo requer alguma destreza manual e rapidez para retirar as 'tortillas' da frigideira e coloca-las, lado a lado, no tabuleiro previamente oleado e ligeiramente curvadas em 'U'. (Neste momento, deverá começar a fritar as próximas 4 'tortillas' na frigideira. Normalmente, costumo preparar um total de 10 'tortillas'...). Dispôr então uma pequena porção de queijo no interior do 'U' de cada 'tortilla', seguida de uma quantidade adequada da mistura de carne, e finalmente algumas metades de azeitona. O passo seguinte consiste em dobrar a 'tortilla' de modo que uma das extremidades fique colada com a oposta, tendo o cuidado de esconder a 'costura'. Cada 'tortilla' deverá ser recheada generosamente (de modo que não fique frouxa) mas evitando que sobre recheio nas extremidades.

Uma vez que todas as 'tortillas' estejam recheadas (e assim transformadas em enchiladas), verter o molho anteriormente preparado sobre elas, garantindo que estas são cobertas uniformemente. Polvilhar com a porção restante de coentros.

Cobrir o tabuleiro com uma folha de alumínio e levar ao forno durante 20-30 minutos, até as 'tortillas' ficarem macias e o molho apresentar bolhas à superfície. Deixar repousar, com o forno desligado, durante 5 minutos, após o que poderá ser servido com uma cobertura de sour cream (só para apreciadores...).

Algumas notas finais:

Se a carne for frita em óleo (ou outra gordura) os resultados são menos bons e, obviamente, mais gordurosos.... Se as enchiladas ficarem muito tempo no forno, o sabor não é afectado, mas as 'tortillas' perdem a sua textura ideal (que deve ser macia...). Estejam à vontade para ajustar as quantidades de chili à vossa tolerância específica ao picante. Eu gosto de preparar as enchiladas 3 horas antes de as levar ao forno de modo a permitir que os diferentes sabores se misturem. Para os não apreciadores de picante, se as enchiladas forem deixadas durante um dia no frigorífico (antes de irem ao forno) o sabor picante pode ser substancialmente atenuado. Servidas com salada (e alguma... muita... cerveja Mexicana), constituem uma refeição completa. Também podem ser acompanhadas com arroz Mexicano, para aqueles que forem de mais alimento...
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terça-feira, novembro 04, 2003

A Justiça não é fiável? 

Um escândalo é um escândalo. E mesmo ao acreditar que este ou aquele interveniente no "caso", designadamente a Comunicação Social, exagerou na forma como levantou a questão, não restam dúvidas de que o caso da pedofilia em Portugal... é um escândalo. E de tal forma é grave que já se interrogam muitos sobre se há mesmo Justiça em Portugal. Uma pergunta que encerra em si... críticas de quanto baste até ao Poder Político.

No princípio... falava-se em "gente do Poder" que estaria implicada. E mesmo que essa gente do poder... não seja mais do que terceiras ou quartas figuras, há já um dado que ninguém pode esquecer. É que o povo vai dizendo, à mesa do café, um pouco por todo o mundo... que "tudo vai ficar na mesma". Que "a Justiça só faz que anda..." Que os "grandes" são grandes até nas defesas que têm.

O que, bem explicado, significa que os cidadãos comuns - os que sofrem na carne os erros dos políticos, em quem, às vezes, até votam - não acreditam nos que mandam no país. Descrêem nas instâncias superiores. Pensam entender que... é um "salve-se quem puder" pegado e que todos se defendem uns aos outros...

E se assim fosse? Se fosse mesmo verdade?

Este problema da credibilidade dos poderes públicos começa a pesar no dia-a-dia de um País como Portugal. De outros países, também, naturalmente. Ainda há bem pouco tempo, no Canadá - rico e poderoso, defensor dos direitos humanos e activo na feitura da democracia - surgiram problemas idênticos, também em orfanatos dirigidos até por religiosos. E o povo, também no Canadá, acreditou (e acredita) que os culpados serão julgados e punidos. E essa será, se assim o quisermos entender... a diferença. Porque Portugal, neste como em muitos casos, ainda parece não acreditar que a Justiça vai actuar.

E mesmo que agora já se não fale tanto na tal rede de pedofilia, ligada à Casa Pia - e à Casa do Gaiato, do "Pai" Américo, imaginem! - a "gente do Poder" continua a ser o "bode expiatório" que importa criticar.

Os Jornalistas cumpriram a sua obrigação? - Cremos bem que sim. Talvez tenham pecado, tão somente, por o terem feito tão tarde. Sim, porque se o caso já tinha sido entregue à Justiça, se houve um ou outro inquérito, é de supor que o tema já tivesse estado, ainda que por simples suspeita, nas bancas dos Jornais. Se então ninguém lhe pegou, se o tema não teve a força que muitos lhe estão a dar agora, talvez que "por omissão" se tenham de criticar, igualmente, alguns Jornalistas.

Manda a verdade que se diga, então, que o público, aí, é igualmente culpado. O "público fera" que nós somos... quer é que as Rádios e as Televisões, os Jornais e as Revistas, chafurdem em determinada "lama", se imiscuam em tudo o que é "porcaria", se possível com bastas doses de sangue e de ódio. Sim... quer. E todos nós sabemos isso. O público precisa da sua "dose de sangue e de desamor". Talvez para, à noite, ao rezar a Deus, antes de se deitar... pedir a Paz para o Mundo, mais Amor entre os homens, menos crimes contra as crianças...

Há justiça? - Ainda acreditamos. E se a Justiça ainda existe, se ela não está dormente, vamos todos fazer votos por que actue.

Acreditemos que vai actuar. E vamos todos, na melhor paz e harmonia, discutir outros problemas e combater outros pontos. Problemas e pontos que nascem como cogumelos, no nosso dia-a-dia. Problemas e pontos que enxameiam também o nosso mundo...
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segunda-feira, novembro 03, 2003

Portugueses cada vez mais Portugueses 

Já todos sabemos o estado da Nação. Não é agradável ver que fomos recentemente ultrapassados pela Grécia, apesar de pensar que é connosco que devemos competir e a quem devemos sempre superar.
Vivemos, durante a década de 90, uma época de euforia em que vivemos acima das nossas possibilidades. Vivemos do crédito, da fuga aos impostos, de fundos recebidos e não aproveitados e fomos nós, não foi mais ninguém. Criámos uma sociedade balofa, assente em nada, à qual, o mais pequeno tremor faz abalar e ruir.
Quantos de nós, ao fazer obras em casa pede factura? Ou quando põe o automóvel na oficina? É bem melhor pagar menos 19% automaticamente, do que dotar o Estado de um orçamento capaz de fazer desaparecer as listas de espera, ou aumentar os rácios de productividade mais atractivos para os investidores estrangeiros.
Sinceramente, não acho que Portugal seja um país com fraca produtividade. É um país onde se declara metade do que se produz, veja-se o caso da hotelaria e restauração.

E agora, quando nos tiram o tapete, ficamos pessimistas porque não podemos viver acima das nossas possibilidades como nos habituámos. Pior que isso, cruzamos os braços e esperamos que o Estado sozinho resolva todos os problemas.

E a função dos sindicatos? Os sindicatos só se preocupam com os trabalhadores. São quem lhes paga as quotas, e quanto mais ganharem, mais pagam. Não interessa que os aumentos exigidos possam bloquear a nossa competitividade e produtividade, e levar à falência do nosso sistema económico, levando ao desemprego milhares de pessoas, que pela sua idade não terão facilidade em encontrar emprego. São raras as histórias em Portugal de sindicatos que aceitem lay-offs com redução de salário para manter os empregos. Então que vá tudo para a rua. E depois de lá estarem, que se desunhem, pois já não pagam as quotas e os sindicatos não querem saber.

Estamos a passar pelo inevitável. Destruir para poder construir. Dói, mas só pode ser assim, mas em vez de cruzarmos os braços e ficarmos pessimistas, devemos ver nesta recessão o ir ao encontro da base para um crescimento sustentado e ficarmos optimistas num futuro que nós estamos a tornar cada vez mais longínquo com o nosso fado Português.

Já morreu há muito o Dom Sebastião, porque continuamos à espera que ele nos venha salvar?


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quinta-feira, outubro 23, 2003

Em homenagem ao primeiro homem que era quinta-feira ... 

De acordo com a minha modesta opinão este blog já ganhou o prémio "O Mais Surrealista". Esta raridade da Blogosfera denomina-se Preceitos para Uso do Pessoal Doméstico.

João Hugo volta!! Estás perdoado...
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Cozinha por Receita 1 - Tagliatelle com Mozzarella 

Hoje apeteceu-me partilhar com os meus eventuais leitores um dos meus hobbies - culinária por receita. Assim, publico aqui aquela que será a primeira de uma (que espero) longa série de receitas que, para além do prazer em as confeccionar, me permitiram brilhar e, ao mesmo tempo, degustar saborosas refeições.

Escolhi para hoje um prato de massa com natas e queijo, que, desde já, convido todos a experimentarem e darem-me feed-back dos resultados obtidos (que só podem ser bons porque é muito fácil).

É preciso:

- 1 cebola média
- dentes de alho à brava
- 3 tomates-em-rama (ou 3 tomates quaisquer, mas pequenos)
- 500 gr de carne de vaca picada
- óregãos secos
- um bocado de polpa de tomate (guloso ou coisa parecida)
- 2 embalagens pequenas de natas pasteurizadas
- um pedaço de manteiga
- uma colher de chá de maizena dissolvida em água
- 350 gr. de Tagliatelle (por exemplo), ou outra massa, suponho
- Queijo mozzarella dinamarquês em barra e em fios
- Sal e pimenta
- Azeite
- Mostarda

Então é assim:

Azeite no fundo de um tacho e cebola e o alho, picados, lá para dentro para refogar.

Juntar a carne, ir virando até ficar castanha, juntar os tomates (aos pedacinhos) e um bocado de polpa de tomate (só para humedecer toda a carne). Temperar com sal e pimenta e os óregãos.

Por a massa a cozer, leva 10 minutos a massa, leva 10 minutos a carne a apurar um bocadinho, em lume brando. Agora é uma boa altura para acender o forno, 200 graus chegam.

Escorre-se a massa e reserva-se (convém deixar um bocadinho de água para não colar).

Num tachinho derrete-se a manteiga, juntam-se as natas, mexe-se bem, junta-se mostarda, mexe-se bem novamente, junta-se a maizena dissolvida, volta-se a mexer. Deixa-se engrossar um bocadinho em lume muito brando. Estamos a falar de um ou dois minutos. Convém salgar. Pimenta também é bom. Noz moscada, opcional.

E agora a parte divertida: pega-se num pyrex e oleia-se com azeite; depois, no fundo, coloca-se um bocadinho menos de metade da massa (tagliatelle, foi o que eu usei, é parecido com fetuccine), depois cobre-se com a carne, toda, seguido de uma generosa camada de Mozzarella em fatias finas (cortadas da barra) e uma parte das natas (menos de metade).

Tapa-se tudo com o resto da massa, seguido do resto das natas e, finalmente, um pacote inteiro de fiozinhos de queijo mozzarella. Há uns excelentes e caros (ramazotti) e uns que não deixam de ser bons e são mais baratos. Estes últimos não são bem em fios, são mais cubinhos pequenos e dizem geralmente qualquer coisa como "especial para pizza" ou "especial para gratinar". Serve.

Vai ao forno, 20 a 30 minutos, até o topo estar a começar a ficar castanho nalguns pontos.

Claro, resta lembrar que isto dá, à vontade, para quatro pessoas ... pelo menos.
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